Minha carne é de coisa banal.
Minha carne é de gente.
Em um furta-cor desigual,
Minha carne tem uma cor,
Mas as vezes não é da cor
daquela que é mais barata:
a negra.
Minha carne treme.
Minha carne sente.
Minha carne dói.
Minha carne se rói.
Em números, eu conto carnes.
Corpos são carnes de papelão.
Banais.
São só corpos.
Corpos que foram.
Corpos que estiveram.
Corpus.
Conto.
Conto um.
Conto dois.
Conto aquele. E aquela.
Eu conto a mim
Que o conto é uma farsa.
Contumaz, teimo e redundante.
Você e eu em um balanço.
Roda
(pêndulo)
Gigante.
Bolandeira.
Para lá e para cá.
E gira e volta.
Oscila.
Empenada.
Assim é o que penso.
Oscilando.
Errando.
Vacilando.
domingo, 2 de julho de 2017
segunda-feira, 12 de junho de 2017
VaCILADAS
Entre ideias dispostas em um labirinto.
Conexões, as vezes, desencontradas.
Armadilhas autoarmadas.
Ciladas.
Os caminhos me fazem alterado.
Mudo os fluxos.
Me encontro decepcionado.
Comigo mesmo, meio pertubado.
Nos vacilos cometidos,
Começo a semana sem retaguarda.
Um dia para trás
Outro para frente.
Acalmo a corrida.
Volto à caminhada.
No largo de um passo.
Diminuo.
Desacelero.
Acalmo as badaladas.
Conexões, as vezes, desencontradas.
Armadilhas autoarmadas.
Ciladas.
Os caminhos me fazem alterado.
Mudo os fluxos.
Me encontro decepcionado.
Comigo mesmo, meio pertubado.
Nos vacilos cometidos,
Começo a semana sem retaguarda.
Um dia para trás
Outro para frente.
Acalmo a corrida.
Volto à caminhada.
No largo de um passo.
Diminuo.
Desacelero.
Acalmo as badaladas.
quinta-feira, 23 de março de 2017
Começo de ano, agenda "nova", só que não.
Ontem, o Brasil viu - na verdade não, pois a PL da
Terceirização correu sutil na grande mídia - a aprovação de uma reformulação na
forma de contratação de trabalhadores. De fato, isso é algo debatido nas casas
parlamentares federais desde 2015, um dos estandartes do famigerado Eduardo
Cunha.
No entanto, essa pauta não é de hoje ou ontem. Só observar
que o projeto de ontem não é o mesmo proposto na gestão Cunha. Pasmem, foi um projeto da gestão FHC, de quase 20
anos atrás. Confesso, pensei que fosse o mesmo "projeto do Cunha" e
não tinha entendido a manobra, por pura desinformação da minha parte. Para
destacar, a dita proposta de 2015 foi rejeitada pelo Senado, por isso não
estava caminhando na Câmara Federal.
A artimanha é cínica e sinistra. Mas, não surpreendente
devido ao perfil de tais legisladores.
Não é só.
De 20 anos e tantos, também vem as linhas para a
"reforma do ensino médio". Em que a grande preocupação é formar cedo
para o trabalho (emprego), com justificativas de "liberdade de escolha".
Apesar do projeto recente, as diretrizes foram estabelecidas com influência de
órgãos internacionais na década de 1990, mas com interesses muito específicos
em limitar em certo tipo a grande "produção" brasileira. Não vou me
alongar, mas exercitemos rápida e rasamente nossas cabeças.
Assim, os jovens poderão sair do Ensino Médio já "especializados"
para trabalhar - deixando de lado a possibilidade de experimentar diversos
conteúdos para sua formação humana integral, teoricamente -, mas agora, em uma
condição bem mais "prática": terceirizados. Vou até esquecer a tal da
"empregabilidade", para encurtar o besteirol aqui.
Que conveniência!
Não esqueçam. Está
vindo a reforma da previdência. E esse jovem realmente tem que começar cedo.
Afinal, será terceirizado a vida inteira, ininterruptamente. Então, ainda no Ensino Médio "flexível", começando aos 16 anos conseguirá curtir a aposentadoria
já aos 65 anos.
Se sobreviver.
Já que a população está envelhecendo, ótima estratégia de
garantir um futuro sem idosos. Literalmente, matando no cansaço.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Fui moralizado.
Ontem, passe por uma experiência muito interessante. Fui moralizado.
Tentando deixar de lado todo meu sentimento de raiva ou, no cearensês, "putisse" e minha inabilidade em debater algo em situações em que me altero - costumo não ser agressivo, mas "perco" pela emotividade -,tentarei, também, refletir (ou desabafar).
Em discussão de bar, sobre ciclismo, fui moralizado por andar de bicicleta. Na verdade, não foi exatamente por isso, foi por ter sido pré-julgado sobre um discurso que, supostamente, eu estava realizando: bicicleta é a única solução.
Destaquei o fato de não ser pelo o tema do debate - mobilidade e bicicleta - pois, na mesa, as opiniões em muitos pontos convergiam. Mas, mais uma vez, fui moralizado por ter sido "pegue" em uma linha de argumentação que deveria ser "combatida".
Concordando que o tema mobilidade é mais complexo que o simples texto de blog, andar de bicicleta, em Fortaleza, tem sido motivo de distinção e julgamento. Seja para apoiar ou para se opor. Há um fato sobre o uso da bicicleta, há décadas, pela classe trabalhadora ou mais pobre da sociedade. Na minha opinião, uma realidade indiscutível. Outro elemento, é um recente uso da bicicleta pela famosa classe média. Diferentes usos: lazer, esporte, transporte etc. Especialmente o uso da bicicleta como transporte que, possivelmente, seja a menor das situações encontradas nessa parcela da sociedade. Pelo menos ainda.
Em síntese, esses dois elementos, o uso desse veículo por diferentes classes, tem, geralmente, sido colocados opostos um do outro. Contudo, para este texto, importa pouco.
Com efeito, tem me chamado atenção opiniões que deslegitimam o uso da bicicleta como transporte pela classe média (aqui me colocando com alguma ressalva dentro desse grupo) por não ser uma questão de necessidade, mas uma escolha, geralmente em oposição ao uso por necessidade das classes menos abastadas da sociedade. Longe de querer lançar algum tipo de crítica ao uso da bicicleta por necessidade, tenho avaliado como negativo criticar o uso deste modal de transporte quando feito por opção.
Eu tenho utilizado a bicicleta diariamente há algum tempo. Tornou-se meu principal meio de locomoção. O segundo é o transporte coletivo. O terceiro se divide entre o carro da família ou a tradicional caminhada.
Tenho uma porção de críticas aos ciclistas por lazer e esporte que, ironicamente, criticam os ciclistas por transporte. Entretanto, muito me fere o discurso que a bicicleta como transporte para a classe média é uma "moda". Que seja. Não é por isso que merece desrespeito.
Casado a isso, frequentemente, surge as críticas sobre as "infrações" cometidas por muitos ciclista. Sem querer entrar nessa questão, ressalta-se como surgem falas de negativação as pessoas que utilizam bicicleta na cidade. Em uma síntese bem superficial, o que aparenta é que sempre se procura elementos para deslegitimar o uso da bicicleta na cidade.
Acredito que a bicicleta não seja a grande solução para as questões de mobilidade. É, sim, o transporte coletivo de qualidade, ampliado e diverso. Mas negativar a bicicleta por isso é, para mim, um desserviço a cidade de modo geral.
Ainda estou impressionado pelo fato de ter sido "combatido" por uma pequena parte de uma fala minha. Mais ainda por uma situação em que se encontravam pessoas amigas. Mais ainda por ser pessoas que partilham, em grande medida, uma forma semelhante de ver o mundo. Bem, mas acredito que é sempre válido para nos repensarmos até mesmo nas pequenas partes de nossos discursos. Isso sempre vale a pena.
Deixo claro, que há muito tempo, sou super aberto a críticas. Recebo-as sempre com muita atenção, mesmo as que incomodam.
Agora, não tenho na memória, ter passado por uma "moralização". Bem, mas já estou me repetindo.
Tentei ser racional. Porém, mais uma vez, fui só emoções.
Tentando deixar de lado todo meu sentimento de raiva ou, no cearensês, "putisse" e minha inabilidade em debater algo em situações em que me altero - costumo não ser agressivo, mas "perco" pela emotividade -,tentarei, também, refletir (ou desabafar).
Em discussão de bar, sobre ciclismo, fui moralizado por andar de bicicleta. Na verdade, não foi exatamente por isso, foi por ter sido pré-julgado sobre um discurso que, supostamente, eu estava realizando: bicicleta é a única solução.
Destaquei o fato de não ser pelo o tema do debate - mobilidade e bicicleta - pois, na mesa, as opiniões em muitos pontos convergiam. Mas, mais uma vez, fui moralizado por ter sido "pegue" em uma linha de argumentação que deveria ser "combatida".
Concordando que o tema mobilidade é mais complexo que o simples texto de blog, andar de bicicleta, em Fortaleza, tem sido motivo de distinção e julgamento. Seja para apoiar ou para se opor. Há um fato sobre o uso da bicicleta, há décadas, pela classe trabalhadora ou mais pobre da sociedade. Na minha opinião, uma realidade indiscutível. Outro elemento, é um recente uso da bicicleta pela famosa classe média. Diferentes usos: lazer, esporte, transporte etc. Especialmente o uso da bicicleta como transporte que, possivelmente, seja a menor das situações encontradas nessa parcela da sociedade. Pelo menos ainda.
Em síntese, esses dois elementos, o uso desse veículo por diferentes classes, tem, geralmente, sido colocados opostos um do outro. Contudo, para este texto, importa pouco.
Com efeito, tem me chamado atenção opiniões que deslegitimam o uso da bicicleta como transporte pela classe média (aqui me colocando com alguma ressalva dentro desse grupo) por não ser uma questão de necessidade, mas uma escolha, geralmente em oposição ao uso por necessidade das classes menos abastadas da sociedade. Longe de querer lançar algum tipo de crítica ao uso da bicicleta por necessidade, tenho avaliado como negativo criticar o uso deste modal de transporte quando feito por opção.
Eu tenho utilizado a bicicleta diariamente há algum tempo. Tornou-se meu principal meio de locomoção. O segundo é o transporte coletivo. O terceiro se divide entre o carro da família ou a tradicional caminhada.
Tenho uma porção de críticas aos ciclistas por lazer e esporte que, ironicamente, criticam os ciclistas por transporte. Entretanto, muito me fere o discurso que a bicicleta como transporte para a classe média é uma "moda". Que seja. Não é por isso que merece desrespeito.
Casado a isso, frequentemente, surge as críticas sobre as "infrações" cometidas por muitos ciclista. Sem querer entrar nessa questão, ressalta-se como surgem falas de negativação as pessoas que utilizam bicicleta na cidade. Em uma síntese bem superficial, o que aparenta é que sempre se procura elementos para deslegitimar o uso da bicicleta na cidade.
Acredito que a bicicleta não seja a grande solução para as questões de mobilidade. É, sim, o transporte coletivo de qualidade, ampliado e diverso. Mas negativar a bicicleta por isso é, para mim, um desserviço a cidade de modo geral.
Ainda estou impressionado pelo fato de ter sido "combatido" por uma pequena parte de uma fala minha. Mais ainda por uma situação em que se encontravam pessoas amigas. Mais ainda por ser pessoas que partilham, em grande medida, uma forma semelhante de ver o mundo. Bem, mas acredito que é sempre válido para nos repensarmos até mesmo nas pequenas partes de nossos discursos. Isso sempre vale a pena.
Deixo claro, que há muito tempo, sou super aberto a críticas. Recebo-as sempre com muita atenção, mesmo as que incomodam.
Agora, não tenho na memória, ter passado por uma "moralização". Bem, mas já estou me repetindo.
Tentei ser racional. Porém, mais uma vez, fui só emoções.
sábado, 5 de março de 2016
Desbalanceado
Conheço duas pessoas. Pessoas que marcaram minha vida por suas inteligências. Ambas as pessoas possuem conhecimentos ditos eruditos. Ambas as pessoas possuem conhecimento em uma área do conhecimento comum. Acredito que ambas são pessoas amigas entre si.
Uma coisa curiosa é que essas pessoas são distinguidas entre si. Uma possui o título de doutorado e a outra o título de graduação.
É impressionante a erudição e humor das duas pessoas.
Não tenho dúvida que ambas as pessoas tenham devorado e, ainda, devoram uma quantidade de conhecimento que estou distante de me aproximar.
Qual a diferença entre estas pessoas? Refiro-me a questões de acúmulo teórico. Ambas as pessoas também possuem conhecimentos empíricos e vivências diversas, mas não me atento a elas aqui.
Então, qual a diferença entre essas pessoas? Reconhecimento. Crudelicimamente é assim que age o reconhecimento regulamentado. Ele subjuga pessoas como menos competentes. Mas há quem diga que existem critérios e estágios que comprovam um conhecimento. São, geralmente, as pessoas que vociferam teorias e arrogâncias acadêmicas.
Das pessoas que me refiro acima, tenho certeza serem equivalentes e preciosíssimas enquanto pensantes e sintetizadoras de conhecimento. Tendo, admito, a gostar mais da pessoa que expressa seu conhecimento sem a impregnação da academia. Devo confessar, também, que os exemplos acima aparentemente também não transparecem tal impregnação.
De todo esse argumento quero apenas tocar na bobagem que é ostentar títulos e na consequente outra bobagem que é reverenciar pessoas pelo simples fato de seus títulos.
No mundo atual, é importante as titulações. Mesmo assim não há justificativas para isso valer de distinção absoluta.
Sem perder o pensamento, quem realmente preserva o conhecimento é aquele que não o ver como moeda. Conhecimento por mais complexo que seja é aquele que se torna simples. Por isso admiro a uma das pessoas citadas acima pela simplicidade de seu interesse por conhecimento. Muitas as vezes levando-o como lazer. Com essa pessoa, sempre que a encontro, tento aprender. As vezes, acho injustos os obstáculos postos a ela. Mas, há outras dimensões importantes, que nem passei perto de tocar nesse texto.
Contudo, sem mais lamentos, o que posso fazer é admirar pessoas cujo conhecimento é valiosíssimo, enquanto outras ignoram por falta de títulos acadêmicos. Dessas passo longe.
Uma coisa curiosa é que essas pessoas são distinguidas entre si. Uma possui o título de doutorado e a outra o título de graduação.
É impressionante a erudição e humor das duas pessoas.
Não tenho dúvida que ambas as pessoas tenham devorado e, ainda, devoram uma quantidade de conhecimento que estou distante de me aproximar.
Qual a diferença entre estas pessoas? Refiro-me a questões de acúmulo teórico. Ambas as pessoas também possuem conhecimentos empíricos e vivências diversas, mas não me atento a elas aqui.
Então, qual a diferença entre essas pessoas? Reconhecimento. Crudelicimamente é assim que age o reconhecimento regulamentado. Ele subjuga pessoas como menos competentes. Mas há quem diga que existem critérios e estágios que comprovam um conhecimento. São, geralmente, as pessoas que vociferam teorias e arrogâncias acadêmicas.
Das pessoas que me refiro acima, tenho certeza serem equivalentes e preciosíssimas enquanto pensantes e sintetizadoras de conhecimento. Tendo, admito, a gostar mais da pessoa que expressa seu conhecimento sem a impregnação da academia. Devo confessar, também, que os exemplos acima aparentemente também não transparecem tal impregnação.
De todo esse argumento quero apenas tocar na bobagem que é ostentar títulos e na consequente outra bobagem que é reverenciar pessoas pelo simples fato de seus títulos.
No mundo atual, é importante as titulações. Mesmo assim não há justificativas para isso valer de distinção absoluta.
Sem perder o pensamento, quem realmente preserva o conhecimento é aquele que não o ver como moeda. Conhecimento por mais complexo que seja é aquele que se torna simples. Por isso admiro a uma das pessoas citadas acima pela simplicidade de seu interesse por conhecimento. Muitas as vezes levando-o como lazer. Com essa pessoa, sempre que a encontro, tento aprender. As vezes, acho injustos os obstáculos postos a ela. Mas, há outras dimensões importantes, que nem passei perto de tocar nesse texto.
Contudo, sem mais lamentos, o que posso fazer é admirar pessoas cujo conhecimento é valiosíssimo, enquanto outras ignoram por falta de títulos acadêmicos. Dessas passo longe.
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