Há muito não escrevo.
Não é novidade para mim me deparar com a vontade de "metaescrever". Não sei se outrem chega a ler. Pouco importa. Não sou bom de português (já em outros idiomas sou inútil). Travo e encravo palavras que nunca sei dizer, muito menos escrever. Texto é algo cruel e difícil para mim. E, olha, exerço um ofício que precisa muito da escrita. Isso é foda. Uma angústia só.
Sim.
Mas, estava eu falando de "metaescrever". Olho para as poucas linhas acima e lá estava eu novamente escrevendo sobre o escrever. Moça e rapaz, isso é um desaforo só da minha parte. Logo falo sobre isso e começo a me lamuriar: "e não sei o quê do português", "e mimimi do escrever"...
Talvez a questão seja justamente a preguiça das palavras escritas, não das lidas.
Não é incomum parar na frente de qualquer papel e pensar palavras nele. Ai logo me deparo com dúvidas gramaticais, sintáticas, textuais e paro por ali. É sério. Rolo de papel higiênico, guardanapo, caderno, agenda, borrão... Tudo que é papel. Inclusive esse aqui, virtual que seja. Como podem perceber, deve ter um mundo de erros. No entanto, permito-me a melhor das desculpas textuais: a licença poética. Ah, aí é bom. Escrever-se e se permitir. Tudo se justifica. Até os erros de pontuação, coesão, concordância, ortografia etc.
Ai tomo a "metaescrita" como uma meta sem metas. A meta de só se meter nos pensamentos e meter palavras em outras e, metido que sou, meter-me a escritor de nada. Nada que é um pouco de mim.
E nessa "meta" a gente ora (aqui me colocando como muitos para diluir a prepotência). Assim, a gente meta-ora. Seguindo a sonoridade, a gente meteora! Verbo pretenso a querer ser meteórico. Afinal, o meteoro pode meteorar a nós. Parei! Ficar explicando a metaescrituração é o cúmulo do ó. De fundo, ainda quis fazer piada. Mas e a piada do pinto... Bem, é melhor parar por aqui.
Eu ainda pensei em escrever mais uma meteoração, mas da frase que me veio a mente não formulou nem uma oração.