segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ouso, aqui, poesia.

Eis que o novo messias ressurgirá,
no manifesto da população.

Comeremos a todos!
Andarás, Oswald, de novo.

Em cada pedaço de todo antropo,
mastigar-se-á,
engolir-se-á,
tudo,
todos.
À enguios.
À enjôos.

Na ressaca, pois, digeriremos,
em nossa antropofagia ousada,
a politicaria.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Fui moralizado.

Ontem, passe por uma experiência muito interessante. Fui moralizado.

Tentando deixar de lado todo meu sentimento de raiva ou, no cearensês, "putisse" e minha inabilidade em debater algo em situações em que me altero - costumo não ser agressivo, mas "perco" pela emotividade -,tentarei, também, refletir (ou desabafar).

Em discussão de bar, sobre ciclismo, fui moralizado por andar de bicicleta. Na verdade, não foi exatamente por isso, foi por ter sido pré-julgado sobre um discurso que, supostamente, eu estava realizando: bicicleta é a única solução.
Destaquei o fato de não ser pelo o tema do debate - mobilidade e bicicleta - pois, na mesa, as opiniões em muitos pontos convergiam. Mas, mais uma vez, fui moralizado por ter sido "pegue" em uma linha de argumentação que deveria ser "combatida".

Concordando que o tema mobilidade é mais complexo que o simples texto de blog, andar de bicicleta, em Fortaleza, tem sido motivo de distinção e julgamento. Seja para apoiar ou para se opor. Há um fato sobre o uso da bicicleta, há décadas, pela classe trabalhadora ou mais pobre da sociedade. Na minha opinião, uma realidade indiscutível. Outro elemento, é um recente uso da bicicleta pela famosa classe média. Diferentes usos: lazer, esporte, transporte etc. Especialmente o uso da bicicleta como transporte que, possivelmente, seja a menor das situações encontradas nessa parcela da sociedade. Pelo menos ainda.
Em síntese, esses dois elementos, o uso desse veículo por diferentes classes, tem, geralmente, sido colocados opostos um do outro. Contudo, para este texto, importa pouco.

Com efeito, tem me chamado atenção opiniões que deslegitimam o uso da bicicleta como transporte pela classe média (aqui me colocando com alguma ressalva dentro desse grupo) por não ser uma questão de necessidade, mas uma escolha, geralmente em oposição ao uso por necessidade das classes menos abastadas da sociedade. Longe de querer lançar algum tipo de crítica ao uso da bicicleta por necessidade, tenho avaliado como negativo criticar o uso deste modal de transporte quando feito por opção.

Eu tenho utilizado a bicicleta diariamente há algum tempo. Tornou-se meu principal meio de locomoção. O segundo é o transporte coletivo. O terceiro se divide entre o carro da família ou a tradicional caminhada.

Tenho uma porção de críticas aos ciclistas por lazer e esporte que, ironicamente, criticam os ciclistas por transporte. Entretanto, muito me fere o discurso que a bicicleta como transporte para a classe média é uma "moda". Que seja. Não é por isso que merece desrespeito.

Casado a isso, frequentemente, surge as críticas sobre as "infrações" cometidas por muitos ciclista. Sem querer entrar nessa questão, ressalta-se como surgem falas de negativação as pessoas que utilizam bicicleta na cidade. Em uma síntese bem superficial, o que aparenta é que sempre se procura elementos para deslegitimar o uso da bicicleta na cidade.

Acredito que a bicicleta não seja a grande solução para as questões de mobilidade. É, sim, o transporte coletivo de qualidade, ampliado e diverso. Mas negativar a bicicleta por isso é, para mim, um desserviço a cidade de modo geral.

Ainda estou impressionado pelo fato de ter sido "combatido" por uma pequena parte de uma fala minha. Mais ainda por uma situação em que se encontravam pessoas amigas. Mais ainda por ser pessoas que partilham, em grande medida, uma forma semelhante de ver o mundo. Bem, mas acredito que é sempre válido para nos repensarmos até mesmo nas pequenas partes de nossos discursos. Isso sempre vale a pena.

Deixo claro, que há muito tempo, sou super aberto a críticas. Recebo-as sempre com muita atenção, mesmo as que incomodam.

Agora, não tenho na memória, ter passado por uma "moralização". Bem, mas já estou me repetindo.

Tentei ser racional. Porém, mais uma vez, fui só emoções.

sábado, 5 de março de 2016

Desbalanceado

Conheço duas pessoas. Pessoas que marcaram minha vida por suas inteligências. Ambas as pessoas possuem conhecimentos ditos eruditos. Ambas as pessoas possuem conhecimento em uma área do conhecimento comum. Acredito que ambas são pessoas amigas entre si.
Uma coisa curiosa é que essas pessoas são distinguidas entre si. Uma possui o título de doutorado e a outra o título de graduação.
É impressionante a erudição e humor das duas pessoas.
Não tenho dúvida que ambas as pessoas tenham devorado e, ainda, devoram uma quantidade de conhecimento que estou distante de me aproximar.

Qual a diferença entre estas pessoas? Refiro-me a questões de acúmulo teórico. Ambas as pessoas também possuem conhecimentos empíricos e vivências diversas, mas não me atento a elas aqui.

Então, qual a diferença entre essas pessoas? Reconhecimento. Crudelicimamente é assim que age o reconhecimento regulamentado. Ele subjuga pessoas como menos competentes. Mas há quem diga que existem critérios e estágios que comprovam um conhecimento. São, geralmente, as pessoas que vociferam teorias e arrogâncias acadêmicas.
Das pessoas que me  refiro acima, tenho certeza serem equivalentes e preciosíssimas enquanto pensantes e sintetizadoras de conhecimento. Tendo, admito, a gostar mais da pessoa que expressa seu conhecimento sem a impregnação da academia. Devo  confessar, também, que os exemplos acima aparentemente também não transparecem tal impregnação.
De todo esse argumento quero apenas tocar na bobagem que é ostentar títulos e na consequente outra bobagem que é reverenciar pessoas pelo simples fato de seus títulos.
No mundo atual, é importante as titulações. Mesmo assim não há justificativas para isso valer de distinção absoluta.
Sem perder o pensamento, quem realmente preserva o conhecimento é aquele que não o ver como moeda. Conhecimento por mais complexo que seja é aquele que se torna simples. Por isso admiro a uma das pessoas citadas acima pela simplicidade de seu interesse por conhecimento. Muitas as vezes levando-o como lazer. Com essa pessoa, sempre que a encontro, tento aprender. As vezes, acho injustos os obstáculos postos a ela. Mas, há outras dimensões importantes, que nem passei perto de tocar nesse texto.

Contudo, sem mais lamentos, o que posso fazer é admirar pessoas cujo conhecimento é valiosíssimo, enquanto outras ignoram por falta de títulos acadêmicos. Dessas passo longe.



sábado, 13 de fevereiro de 2016

A MetaAfetaAMim

Há muito não escrevo.
Não é novidade para mim me deparar com a vontade de "metaescrever". Não sei se outrem chega a ler. Pouco importa. Não sou bom de português (já em outros idiomas sou inútil). Travo e encravo palavras que nunca sei dizer, muito menos escrever. Texto é algo cruel e difícil para mim. E, olha, exerço um ofício que precisa muito da escrita. Isso é foda. Uma angústia só.
Sim.
Mas, estava eu falando de "metaescrever". Olho para as poucas linhas acima e lá estava eu novamente escrevendo sobre o escrever. Moça e rapaz, isso é um desaforo só da minha parte. Logo falo sobre isso e começo a me lamuriar: "e não sei o quê do português", "e mimimi do escrever"...
Talvez a questão seja justamente a preguiça das palavras escritas, não das lidas.
Não é incomum parar na frente de qualquer papel e pensar palavras nele. Ai logo me deparo com dúvidas gramaticais, sintáticas, textuais e paro por ali. É sério. Rolo de papel higiênico, guardanapo, caderno, agenda, borrão... Tudo que é papel. Inclusive esse aqui, virtual que seja. Como podem perceber, deve ter um mundo de erros. No entanto, permito-me a melhor das desculpas textuais: a licença poética. Ah, aí é bom. Escrever-se e se permitir. Tudo se justifica. Até os erros de pontuação, coesão, concordância, ortografia etc.
Ai tomo a "metaescrita" como uma meta sem metas. A meta de só se meter nos pensamentos e meter palavras em outras e, metido que sou, meter-me a escritor de nada. Nada que é um pouco de mim.
E nessa "meta" a gente ora (aqui me colocando como muitos para diluir a prepotência). Assim, a gente meta-ora. Seguindo a sonoridade, a gente meteora! Verbo pretenso a querer ser meteórico. Afinal, o meteoro pode meteorar a nós. Parei! Ficar explicando a metaescrituração é o cúmulo do ó. De fundo, ainda quis fazer piada. Mas e a piada do pinto... Bem, é melhor parar por aqui.

Eu ainda pensei em escrever mais uma meteoração, mas da frase que me veio a mente não formulou nem uma oração.