quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Segmentado

Faca de ponta
A navalha que corta
Como folha de cana-de-açúcar
No fio do corte que amola a alma
Na carne o talho lascado
Da cana, eu tiro a dose
Dosada talagada
Olho a folha
Em branco
Verde
De maduro
Sei de có
O gosto de sangue
Sem ponto
Suturo
Um
Por
Um
Folhas caem do pé
Que plantam em mim
Raiz
Num golpe só
Foi-Ce
Abri os olhos
Ramificados de irritação
Dilatados, por fim
Fitei
Parei
Fiquei
Desfocado.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Inversos de oração: multidão!

Ando incerto.
Desajustado.
Desregulado.
Irregular.

Falei para um amigo querido: Geração!
Provocação para gerar algo, criar sem muita pressão. E eu pensando: "era verso o que tinha para se gerar?". Desisti.
 
Muito se fala do andar.
O mundo anda.
A humanidade caminha.
A sociedade desanda.


Vivemos em gerações interagindo uma com a outra. Geração etária. Geração de farras.
Sinto falta em mim o gerar-ação. Sou assim.

Invento lamentos.
Justificativas.
Culpas ao vento.
Cativas justas.

Gerando frases, fazendo troças trôpegas sobre palavras. Enquanto ao olhar para fora vejo o embate de nossa geração. Parte dela, escorrendo massacrada e sendo sepultada por suas mães.

Receio o temor.
Jamais Temer.
Aos crápulas,
árduo combater.

Na intenção que verso vire verbo, ora, ação, intercalo desabafos inversos de oração. Amparo o pesado desafio de uma geração: sobreviver e combater o que despedaça toda a gente.
Nós ainda somos multidão!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Furada.

Toda fila é uma furada.

fura a FILA
FI-fura-LA
FILA furada

Furar a fila
é FIruLA deslavada.

Filar um lugar
Que no fim
Dá em nada.

A fila furada.
Assim, finada.

domingo, 1 de outubro de 2017

Aos moços.

"Ainda sou bem moço pra tanta tristeza."

Entre pensamentos de negra cabeleira, 
dizia Belchior.

Minha cabeleira, muito negra,
Não cacheia versos com tanta raiz.

Meus cabelos rebeldes enrolam pensamentos do dia a dia.

Eu penso nos versos do Bel
E penso no que é pior.
Também no nó
Que o mundo dá na gente.

Penso no povo.
Eu ainda moço,
Acho que meus cabelos negros
já grisalham as raízes do pensamento.

Mas eu penso no almoço.
Está quase na hora.

Ingredientes, chama,
panela suja, receita...

Pensei:

Na garfada distraída, sem medo,
daquele jovem moço que eu desencontrei.
Pois, ele ficou pelo tempo,
sem hora e nem almoço.

Tomei:

Na garrafa destampada, vazia logo cedo,
uma receita para tudo isso, entornei.
Ventilo ideias sem cabimento:
Ainda virá o novo?

Termino o almoço pensando:
Qual a hora do alvoroço?

Cuspo o caroço.
Sigo o dia.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Profesta

Não sou poeta
Não sou a festa
Não acerto uma seta
Não sou de meta
Não aparo na testa
Não sigo uma reta
Não sou manifesta
Não canto seresta
Não entro na fresta
Sim,
Só sou
Porque me resta.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Duro

Meninos morrem
assassinados.
Todo dia.

Um cara mija
Da janela do carro.

A masculinidade é agressiva.
Abusiva.
Gatilho e munição que
Violenta, em toda parte.

Enforcar-nos-emos
Com um pênis
Armado.


domingo, 2 de julho de 2017

Ve e Fé.

As Ve**zes me meto aos versos.
Sem ter muita Fé**.
Mas, fajuto que sou,
Só rimo a(à)s **zes.