domingo, 2 de julho de 2017

EmCarnando

Minha carne é de coisa banal.
Minha carne é de gente.

Em um furta-cor desigual,
Minha carne tem uma cor,
Mas as vezes não é da cor
daquela que é mais barata:
a negra.

Minha carne treme.
Minha carne sente.
Minha carne dói.
Minha carne se rói.

Em números, eu conto carnes.
Corpos são carnes de papelão.

Banais.
São só corpos.
Corpos que foram.
Corpos que estiveram.
Corpus.

Conto.
Conto um.
Conto dois.
Conto aquele. E aquela.

Eu conto a mim
Que o conto é uma farsa.

Contumaz, teimo e redundante.

Você e eu em um balanço.
Roda
                                                    (pêndulo)
Gigante.


Bolandeira.

Para lá e para cá.
E gira e volta.

Oscila.
Empenada.

Assim é o que penso.
Oscilando.
Errando.
Vacilando.

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