quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Com vandalismo!

- Caiam mil portas de vidro de agências bancárias e que mil escolas sejam ocupadas em prol da melhora na educação pública. Disse Moisés, no 36º mandamento, depois de um tempo viajando pelo mundo e parando no Brasil. Tudo após um banho de mar e uma caminhada pelos bairros de periferias das grandes cidades.
Há quem diga que ele foi até o sertão e disse que as adutoras seguiam no sentido errado. Parece que o caminho das águas, em vez de convergir para os camponeses, seguia para o litoral para diluir o calor de uma grande fábrica.
Resolveu descer mais ao sul, tentou abrir caminho perante um rio, mas seu cajado só era eficaz com água, no rio só tinha lama.
Parou, então, no Rio de Janeiro e olhou para aquela estátua de um conhecido em cima de um monte. Pensou naquele cara que nasceu depois dele, que dizem ter sido apenas um, mas ele arrisca pensar que poderia ter sido vários, assim como ele. Olha para o lado e viu um carro de modelo não muito novo. Cinco jovens saiam para ser felizes.
Quebrou o cajado, deu razão ao baiano Raul Seixas e pediu para descer do mundo. E ele nem soube da grande Messejana.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

despontuando

não há o que escrever
nenhum verso apenas
nenhuma palavra amena

não há o que viver
nenhum ser depena
nenhuma vivência serena

não há o que dizer
nenhum sussurro envenena
nenhum rugido condena

não há o que ver
nenhuma luz se crê ver
nenhum espelho me vi ver

não há mais nada
só tudo entre ter
e o resto que é sobre-viver

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Num fechar de olhos

Não sou muito acostumado a pesadelos. Sonhos, sim. Sejam sonhos "bons" ou "ruins".
Hoje a noite sonhei com coisas que me perturbam atualmente. Já tive muitos pesadelos, é claro. Mas, esse, em especial, "bateu". Por quê? Porque nele eu nem morri, nem ninguém que eu amo; nem cai do espaço, nem da cama; nem mergulhei, nem "enguiei".

Foi um sonho-pesadelo-sonho tão racional e real que nem lembro mais.

São assim os sonhos: te arrebata e pouco te lembram depois, mas te permanecem.

Esse é o meu bom dia.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A /quão-dura/ da escritura

Uma vontade grande de escrever. Não sobre uma coisa, mas sobre qualquer coisa. Escrever, escrever e escrever. Se não fosse o que mais tenho tentado fazer, seria mais simples do que dizer: es-cre-ver.

Os ânimos da escrita ficaram pelo caminho. O desanimo pesado fez esse mesmo caminho parecer e se tornar longo. Assim, os passos se acumularam e já não tão fáceis de serem dados. O que antes parecia fluído e possibilitava admirar o percurso, parar, olhar para os lados, para cima e, também, para baixo. Em que o cansaço era seguido de alívio e da retomada das pegadas deixadas para trás. Agora parece uma atividade mecânica, apenas um passo seguido do outro. Preso a cada um, um de cada vez. Movimento cansativo. Quando para, há pouco interesse no caminho. Só se pensa no que ainda falta andar e a vontade é de, simplesmente, "passar".

Assim, nesse momento, o escrever se tornou uma tarefa de "visão de burro", que só se olha para frente. Perdi o hábito de parar e olhar em volta. Na verdade, não sei se perdi, se deixei ou guardei pelo caminho.

Sobre o ofício de escrever, confesso: quero mesmo é parar de ter que escrever e voltar a, simplesmente, poder escrever.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Para des-escrever


Deparei-me comigo:
escrevendo.

Sobre palavras:
pensadas e escritas.
Quão difíceis parecem:
gráficas ou ditas.

Parei-me comigo:
tecendo.

Às cegas,
perdi o rumo.
Com palavras,
nunca tive prumo.

Trégua.

Acordarei contido.
Esquecendo:

Do que inquietou:
Morou.
Do que aquiesceu:
Morreu.