terça-feira, 17 de outubro de 2017

Furada.

Toda fila é uma furada.

fura a FILA
FI-fura-LA
FILA furada

Furar a fila
é FIruLA deslavada.

Filar um lugar
Que no fim
Dá em nada.

A fila furada.
Assim, finada.

domingo, 1 de outubro de 2017

Aos moços.

"Ainda sou bem moço pra tanta tristeza."

Entre pensamentos de negra cabeleira, 
dizia Belchior.

Minha cabeleira, muito negra,
Não cacheia versos com tanta raiz.

Meus cabelos rebeldes enrolam pensamentos do dia a dia.

Eu penso nos versos do Bel
E penso no que é pior.
Também no nó
Que o mundo dá na gente.

Penso no povo.
Eu ainda moço,
Acho que meus cabelos negros
já grisalham as raízes do pensamento.

Mas eu penso no almoço.
Está quase na hora.

Ingredientes, chama,
panela suja, receita...

Pensei:

Na garfada distraída, sem medo,
daquele jovem moço que eu desencontrei.
Pois, ele ficou pelo tempo,
sem hora e nem almoço.

Tomei:

Na garrafa destampada, vazia logo cedo,
uma receita para tudo isso, entornei.
Ventilo ideias sem cabimento:
Ainda virá o novo?

Termino o almoço pensando:
Qual a hora do alvoroço?

Cuspo o caroço.
Sigo o dia.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Profesta

Não sou poeta
Não sou a festa
Não acerto uma seta
Não sou de meta
Não aparo na testa
Não sigo uma reta
Não sou manifesta
Não canto seresta
Não entro na fresta
Sim,
Só sou
Porque me resta.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Duro

Meninos morrem
assassinados.
Todo dia.

Um cara mija
Da janela do carro.

A masculinidade é agressiva.
Abusiva.
Gatilho e munição que
Violenta, em toda parte.

Enforcar-nos-emos
Com um pênis
Armado.


domingo, 2 de julho de 2017

Ve e Fé.

As Ve**zes me meto aos versos.
Sem ter muita Fé**.
Mas, fajuto que sou,
Só rimo a(à)s **zes.
 
 
 

EmCarnando

Minha carne é de coisa banal.
Minha carne é de gente.

Em um furta-cor desigual,
Minha carne tem uma cor,
Mas as vezes não é da cor
daquela que é mais barata:
a negra.

Minha carne treme.
Minha carne sente.
Minha carne dói.
Minha carne se rói.

Em números, eu conto carnes.
Corpos são carnes de papelão.

Banais.
São só corpos.
Corpos que foram.
Corpos que estiveram.
Corpus.

Conto.
Conto um.
Conto dois.
Conto aquele. E aquela.

Eu conto a mim
Que o conto é uma farsa.

Contumaz, teimo e redundante.

Você e eu em um balanço.
Roda
                                                    (pêndulo)
Gigante.


Bolandeira.

Para lá e para cá.
E gira e volta.

Oscila.
Empenada.

Assim é o que penso.
Oscilando.
Errando.
Vacilando.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

VaCILADAS

Entre ideias dispostas em um labirinto.
Conexões, as vezes, desencontradas.
Armadilhas autoarmadas.

Ciladas.

Os caminhos me fazem alterado.
Mudo os fluxos.
Me encontro decepcionado.
Comigo mesmo, meio pertubado.

Nos vacilos cometidos,
Começo a semana sem retaguarda.

Um dia para trás
Outro para frente.

Acalmo a corrida.
Volto à caminhada.

No largo de um passo.

Diminuo.

Desacelero.

Acalmo as badaladas.