domingo, 1 de outubro de 2017

Aos moços.

"Ainda sou bem moço pra tanta tristeza."

Entre pensamentos de negra cabeleira, 
dizia Belchior.

Minha cabeleira, muito negra,
Não cacheia versos com tanta raiz.

Meus cabelos rebeldes enrolam pensamentos do dia a dia.

Eu penso nos versos do Bel
E penso no que é pior.
Também no nó
Que o mundo dá na gente.

Penso no povo.
Eu ainda moço,
Acho que meus cabelos negros
já grisalham as raízes do pensamento.

Mas eu penso no almoço.
Está quase na hora.

Ingredientes, chama,
panela suja, receita...

Pensei:

Na garfada distraída, sem medo,
daquele jovem moço que eu desencontrei.
Pois, ele ficou pelo tempo,
sem hora e nem almoço.

Tomei:

Na garrafa destampada, vazia logo cedo,
uma receita para tudo isso, entornei.
Ventilo ideias sem cabimento:
Ainda virá o novo?

Termino o almoço pensando:
Qual a hora do alvoroço?

Cuspo o caroço.
Sigo o dia.

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