terça-feira, 26 de setembro de 2017

Profesta

Não sou poeta
Não sou a festa
Não acerto uma seta
Não sou de meta
Não aparo na testa
Não sigo uma reta
Não sou manifesta
Não canto seresta
Não entro na fresta
Sim,
Só sou
Porque me resta.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Duro

Meninos morrem
assassinados.
Todo dia.

Um cara mija
Da janela do carro.

A masculinidade é agressiva.
Abusiva.
Gatilho e munição que
Violenta, em toda parte.

Enforcar-nos-emos
Com um pênis
Armado.


domingo, 2 de julho de 2017

Ve e Fé.

As Ve**zes me meto aos versos.
Sem ter muita Fé**.
Mas, fajuto que sou,
Só rimo a(à)s **zes.
 
 
 

EmCarnando

Minha carne é de coisa banal.
Minha carne é de gente.

Em um furta-cor desigual,
Minha carne tem uma cor,
Mas as vezes não é da cor
daquela que é mais barata:
a negra.

Minha carne treme.
Minha carne sente.
Minha carne dói.
Minha carne se rói.

Em números, eu conto carnes.
Corpos são carnes de papelão.

Banais.
São só corpos.
Corpos que foram.
Corpos que estiveram.
Corpus.

Conto.
Conto um.
Conto dois.
Conto aquele. E aquela.

Eu conto a mim
Que o conto é uma farsa.

Contumaz, teimo e redundante.

Você e eu em um balanço.
Roda
                                                    (pêndulo)
Gigante.


Bolandeira.

Para lá e para cá.
E gira e volta.

Oscila.
Empenada.

Assim é o que penso.
Oscilando.
Errando.
Vacilando.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

VaCILADAS

Entre ideias dispostas em um labirinto.
Conexões, as vezes, desencontradas.
Armadilhas autoarmadas.

Ciladas.

Os caminhos me fazem alterado.
Mudo os fluxos.
Me encontro decepcionado.
Comigo mesmo, meio pertubado.

Nos vacilos cometidos,
Começo a semana sem retaguarda.

Um dia para trás
Outro para frente.

Acalmo a corrida.
Volto à caminhada.

No largo de um passo.

Diminuo.

Desacelero.

Acalmo as badaladas.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Começo de ano, agenda "nova", só que não.



Ontem, o Brasil viu - na verdade não, pois a PL da Terceirização correu sutil na grande mídia - a aprovação de uma reformulação na forma de contratação de trabalhadores. De fato, isso é algo debatido nas casas parlamentares federais desde 2015, um dos estandartes do famigerado Eduardo Cunha.

No entanto, essa pauta não é de hoje ou ontem. Só observar que o projeto de ontem não é o mesmo proposto na gestão Cunha. Pasmem,  foi um projeto da gestão FHC, de quase 20 anos atrás. Confesso, pensei que fosse o mesmo "projeto do Cunha" e não tinha entendido a manobra, por pura desinformação da minha parte. Para destacar, a dita proposta de 2015 foi rejeitada pelo Senado, por isso não estava caminhando na Câmara Federal.
A artimanha é cínica e sinistra. Mas, não surpreendente devido ao perfil de tais legisladores.

Não é só.

De 20 anos e tantos, também vem as linhas para a "reforma do ensino médio". Em que a grande preocupação é formar cedo para o trabalho (emprego), com justificativas de "liberdade de escolha". Apesar do projeto recente, as diretrizes foram estabelecidas com influência de órgãos internacionais na década de 1990, mas com interesses muito específicos em limitar em certo tipo a grande "produção" brasileira. Não vou me alongar, mas exercitemos rápida e rasamente nossas cabeças.

Assim, os jovens poderão sair do Ensino Médio já "especializados" para trabalhar - deixando de lado a possibilidade de experimentar diversos conteúdos para sua formação humana integral, teoricamente -, mas agora, em uma condição bem mais "prática": terceirizados. Vou até esquecer a tal da "empregabilidade", para encurtar o besteirol aqui.

Que conveniência!

Não esqueçam. Está vindo a reforma da previdência. E esse jovem realmente tem que começar cedo. Afinal, será terceirizado a vida inteira, ininterruptamente. Então, ainda no Ensino Médio "flexível", começando aos 16 anos conseguirá curtir a aposentadoria já aos 65 anos.

Se sobreviver.

Já que a população está envelhecendo, ótima estratégia de garantir um futuro sem idosos. Literalmente, matando no cansaço.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A (in)conjugação do verbo chover.

Eu chovo.
Tu choves.
Ela molha.

Nós tempestade.
Vós vendavais.
Elas encharcam.

Tu gotas.
Eu pingo.

Vós correnteza.
Nós cachoeira.
 
A todos chuva!