terça-feira, 26 de agosto de 2014

O pão nosso de cada dia

Como já já vou entrar em um transporte coletivo. Lanço mão de uma anedota:

Estava eu na velha e boa topic 55, agora "755", no sentido Unifor-Benfica, por volta das 17h e 30m. Absurdamente lotada, quente que só a peste e o cheiramento de sovaco coletivo. Nada mais do que o "normal". Eis que no empurra-empurra necessário para que se consiga descer na parada desejada, surge uma moça, mulher, senhora, não sei ao certo - pois no amontoado ninguém consegue ter uma visibilidade de mais de 30 cm a sua frente, quando muito. Para ilustrar, caso eu tentasse procurar outro canto para pisar e mudar minha posição - com os braços levantados e pernas juntas eu era um verdadeiro "I" humano (ler-se: "i humano", por favor, nenhuma referência ao estevão empregos) - era arriscado eu perder o canto do pé e ficar que nem saci na topic. Aos que conhecem essa realidade, realmente não seria muito confortável. Principalmente, considerando a direção "defensiva, só que não" comum dos condutores de topics. Afinal, como eu sei que era uma mulher? Uma voz anunciaria sua passagem. Siga na anedota.
Então, voltando a pessoa do sexo feminino que queria passar rapidamente da catraca à porta de saída, pois a tão ansiada parada estava próxima. Tentando atravessar aquele engodado de pessoas e testando todas as leis da física de ocupação de corpos em um mesmo espaço, acabou por gerar um rebuliço nesta bendita lata, digo, topic. Uns reclamaram, outros empurraram. Até que um cearense daqueles, possivelmente advindo de Quixaramobim ou Itapipoca, talvez Mombaça, enfim, um cabra gaiato, exclama em voz alta (a dita voz anunciadora): "Negada! Deixa a muié passar, que ela vai com o pão sovado e não pode amassar."
Inevitavelmente, todas as sardinhas daquela lata riram e a mulher conseguiu deslizar ensebada com suor de todas e todos até a saída.

Só fiquei pensando: e o pão amassou?

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